CORDEL DO FOGO ENCANTADO LANÇA TERCEIRO DISCO NO "BALANÇA CONCHA" DE NOVEMBRO
A banda baiana O Círculo faz o show de abertura
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O Circulo: o som do "Rock Popular Brasileiro" |
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Mais uma dobradinha de peso promete fazer tremer as estruturas da Concha Acústica do TCA no próximo dia 12 de novembro (domingo). Depois do encontro de Tom Zé com Zéu Britto, em setembro, e de MV Bill com Sambalada Eletrônica, em outubro, o Balança Concha derruba as fronteiras entre Pernambuco e Bahia. Será a vez do Cordel do Fogo Encantado, que mistura em suas canções samba de coco, toré indígena, embolada, e reisado, que encontrará o público já aquecido pelo som da banda baiana O Círculo, formada por ex-integrantes do Scambo, que apresenta um trabalho musical cheio de ideologia e sentimento, juntando o regional com o mundial.
O show começa às 18 horas, com ingressos vendidos a preços bem populares. Eles custam R$10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia), mais um livro, que pode se novo ou usado, de qualquer tipo, didático ou paradidático. Módulos de pré-vestibular também serão aceitos e todos os volumes arrecadados serão doados a bibliotecas públicas da Bahia. O Projeto Balança Concha é uma realização da Mil Produções, com patrocínio da Chesf, por meio do Fazcultura. Vale lembrar que as atrações do próximo Balança Concha já estão confirmadas - no dia 3 de dezembro, será a vez do grupo mineiro Pato Fu, que terá show aberto pela baiana Rebeca Matta.
Cordel do Fogo Encantado
A lona do circo foi desarmada. Depois de percorrer praticamente todo o país com o espetáculo que anunciava a passagem de um palhaço sem futuro e que rendeu indicações às mais respeitadas premiações musicais, o Cordel do Fogo Encantado lança seu terceiro disco: Transfiguração. O trabalho completamente autoral reflete as mudanças na trajetória do grupo, que em 1997 saiu da pequena Arcoverde, no sertão pernambucano brasileiro, para ganhar os ouvidos e as praças do mundo inteiro.
Do mergulho nos registros sonoros de suas origens, explorados no primeiro disco, passando pela combustão de O Palhaço do Circo Sem Futuro, dá-se a evolução musical da banda que cada vez mais apresenta uma musicalidade própria, única, forte, marcante e impactante. A base continua a mesma: três percussões, um instrumento harmônico e a força da poesia como motivo da reunião. A maturidade musical se traduz no aprofundamento de novas descobertas sonoras de instrumentos. A percussão é levada para um ambiente mais contemporâneo, trazendo o frescor de uma música inventiva e não meramente reprodutora de ritmos existentes.
Com produção musical de Carlos Eduardo Miranda (O Rappa, Mundo Livre S/A, Raimundos, e Skank), co-produção de Gustavo Lenza (Bnegão e Mamelo Sound System) e mixagem de Scotty Hard ( De La Soul, Wu Tang Clan, John Spencer Blues Explosion e Nação Zumbi), Transfiguração aponta o caminho de movimentação e mutação sonora da banda. Pela primeira vez o processo de composição é invertido. Nos álbuns anteriores, o espetáculo nascia antes para depois virar registro de áudio. Agora, o disco nasce primeiro como música para posteriormente ser colocado em cena na estrada.
Cada vez mais se aproxima a zona de limite pela qual transita o grupo, que passeia com a mesma força tanto pelas artes cênicas como pela musical. Isso se reflete na escolha dos produtores de Transfiguração. "No primeiro disco convidamos Naná Vasconcelos por sua capacidade de teatralização da imagem em som. No segundo radicalizamos assinando a própria produção musical para assumir totalmente a autoria do trabalho. Neste terceiro, a escolha de Miranda, Lenza e Scotty Hard sinaliza essa transformação, ao optarmos por trabalhar com produtores de forte expressão no meio musical", comenta Lirinha, vocalista e compositor do grupo, que divide o palco com Clayton Barros (violão e voz), Emerson Calado (percussão e voz), Nego Henrique (percussão e voz) e Rafa Almeida (percussão e voz).
Transfiguração é, entre os álbuns do grupo, o que apresenta maior diversidade musical. A única participação especial é de BNegão, na faixa Pedra e Bala (ou Os Sertões). Repleto de referências, o disco propõe um passeio pelos universos de Graciliano Ramos, Ítalo Calvino, Nietzsche, Euclides da Cunha, Ana Cristina César, o beatnik de Jack Kerouak, além de Bertolt Brecht e José Celso Martinez Corrêa. A produção independente, que teve o patrocínio da Petrobras, traz 15 faixas, incluindo um bônus track com um solo de Clayton Barros e dois poemas: Tlank!, de Manoel Filó; e Canto dos Emigrantes, de Alberto da Cunha Melo, com interferências e texturas sonoras de Lira com Buguinha Dub.
O Círculo
Da união dos três ex-integrantes da Scambo (Pedro Pondé, Júnior Martins e Israel Jabar), nasceu O Círculo. Pedro (vocal), Júnior (baixo) e Israel (teclado) se juntaram com o baterista Daniel Coentro e as guitarras de Tassiano e Beef do Amor e o resultado foi um conjunto de amizade, afinidade e música. O objetivo do grupo é misturar o rock, a MPB e o samba com uma pitada de reggae. "Vamos criar um estilo novo e diferente, que chamamos de Rock Popular Brasileiro", define o vocalista, que não vê a hora de estar cara a cara com o público do Balança Concha, em seu primeiro grande show. "Tocar na concha por si só já é um sonho. É, sem dúvida, o melhor palco de Salvador, em todos os aspectos", empolga-se o cantor.
A proposta do projeto, que estimula a doação de livros e módulos, torna o momento ainda mais especial para O Círculo. "A questão do livro se encaixa perfeitamente na nossa proposta de trabalho, que é levar informação e cultura ao maior número possível de pessoas. Temos o livro como grande influência no nosso processo de composição, então servir de ponte para um fim tão nobre nos enche de orgulho", arremata Pondé, que aproveita para adiantar o que está preparando para o dia 12 de novembro.
"Vamos levar o nosso repertório, que ainda é uma novidade, foi apresentado somente uma vez e ainda tem muita lenha pra queimar. Ele inclui músicas como Depois de ver, que é a quarta mais pedida nas rádios de Salvador; Amor de graça, que já é cantada em coro; Muito romântico, de Caetano, numa interpretação apaixonada e surpreendente; Cano na cabeça, do grande poeta, jornalista e compositor Lula Queiroga, que vem como uma pedrada social e sonora; além de mais músicas novas como Sua mulher e Um bravo. No mais, tome-lhe espontaneidade e verdade na ribalta, onde nos sentimos mais vivos", arremata Pedro Pondé.
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