ESSES
MOÇOS É A ATRAÇÃO
DO “DOMINGO NO TCA”
O longa-metragem
baiano tem roteiro e direção
de José Araripe Jr.
O projeto “Domingo no TCA”
vai inovar na sua próxima edição,
proporcionando ao público uma sessão
de cinema muito especial, com a exibição
do filme “Esses Moços”,
com roteiro e direção do premiado
cineasta baiano José Araripe Jr.,
no dia 27 de julho, às 11 horas,
na Sala Principal do Teatro Castro Alves.
Os ingressos têm preços simbólicos
de R$ 1,00 (inteira) e R$ 0,50 (meia), vendidos
individualmente no mesmo dia, a partir das
9 horas, com acesso imediato do público.
Produzido em 2004, “Esses Moços”
é ambientado nas ruas do Comercio
e do subúrbio ferroviário
de Salvador. Os papéis principais
são vividos pelo ator Inaldo Santana
e as meninas Chaeynd Santos e Flaviana Silva.
No elenco também estão Manfredo
Bahia, Edmilson Barros, Gideon Rosa, Agnaldo
Lopes, Carlos Betão, Arly Arnaud,
Fafá Pimentel e Celso Jr., entre
outros.
“A rica produção do
cinema baiano merece maior visibilidade
junto ao grande público. O Teatro
Castro Alves, que tem abrigado eventos como
o Festival Internacional de Cinema da Bahia
e o Seminário Internacional de Cinema
e Audiovisual, abre suas portas para um
filme significativo, dentro de um projeto
popular que já se firmou como boa
opção cultural em manhãs
de domingo”, afirma o diretor do Teatro,
Moacyr Gramacho. O Domingo no TCA tem apoio
da Secretaria de Cultura e Fundação
Cultural do Estado. Acontece uma vez por
mês, com espetáculos de música,
dança, teatro, circo e, agora, cinema.
No ano passado totalizou cerca de 12 mil
espectadores.
Sinopse – Darlene,
uma menina que vive nas ruas, traz para
Salvador, Bahia, a irmã menor –
Daiane - para viverem como pedintes na região
do Comércio, na Cidade Baixa. Juntas,
encontram Diomedes, um senhor que foi agredido
e está desmemoriado. Imaginam que
ele é cego, surdo e mudo. Daiane
afeiçoa-se por ele como a um avô
que nunca teve. Darlene resolve usá-lo
para pedir esmolas. Misterioso e afável,
Diomedes conduz as meninas através
da estrada de ferro para o seu mundo de
desmemórias, onde inocência
e dor compõem a música do
tempo. A jornada de 48 horas mudará
o rumo de suas vidas.
“Esses Moços” trata
de tema comuns às grandes cidades
do Nordeste: violência convivendo
com a desesperança - porém
com um olhar minimalista e poético
que descortina novas leituras. A fábula
do encontro entre o maior e o menor abandonados
ganha uma escritura madura embalada pelo
poder mágico da musica, que é
a chave da narrativa. “A versão
de Gilberto Gil para esse clássico
de Lupicínio Rodrigues, tocando um
violão e acompanhado pela flauta
de Tuzé de Abreu parece ter sido
feita para um dia embalar essa fábula”,
afirma José Araripe Jr.
O cenário - Nas
ruas de Salvador da Bahia, entre o Comercio
e o subúrbio ferroviário,
existe uma cidade esquecida, pedindo socorro.
O outrora fausto do porto e da ferrovia
à beira da baía de todos os
santos, foi substituído por vilas
decadentes de operários, ferroviários
e pescadores que lutam pela sobrevivência
e pela atenção do poder público.
É nesse universo que mescla abandono
e profunda beleza natural, que “Esses
Moços” se desenrola. Surpreendente
e poético a cada cena, o drama pode
ser considerado um street movie.
O Diretor - Quem já
assistiu a “Mr. Abrakadabra!”
(mais de 15 prêmios em festivais importantes),
em mais de 20 países, sabe que tipo
de cinema faz esse baiano de Ilhéus,
formado em Artes Plásticas. Do escracho
à parodia presente no hiper realista
“O pai do Rock”, ao naturalista
“Rádio Gogó”,
José Araripe Jr. está sempre
apresentando o ofício da arte como
tema condutor para estágios de humanização
e libertação de seus personagens.
“Eu diria que ‘Esses Moços’
está alinhado como as cinematografias
emergentes como México, Argentina,
e Irã. E traz, sobretudo, a marca
de um cinema brasileiro fortemente regional,
mas que apresenta uma história e
uma narrativa de caráter universal,
e poderia muito bem ter sido filmado em
qualquer estado do Nordeste ou país
da América latina.”, diz.
CRÍTICA –
De acordo com o crítico e cineasta
pernambucano Kleber Mendonça, “A
Bahia jamais foi mostrada no cinema de forma
tão apaixonada e ampla. “Esses
Moços”, revela até mesmo
para os baianos uma Salvador oculta –
bela e disforme – em suas contradições
de musa e madastra – pois a cada imagem
dessa aventura pelas ruas do comércio
aos subúrbios de Periperi e Paripe,
é possível descobrir uma Salvador
nunca antes mostrada em tamanha intimidade
e plenitude. A câmera de Hamilton
Oliveira, fotógrafo local de experiência
internacional, parece ser onipresente.”
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